<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3017701929546011772</id><updated>2011-07-28T14:30:05.238-07:00</updated><category term='Quase Crônica'/><category term='Quase Poesia'/><category term='Quase Conto'/><category term='Hesitações'/><title type='text'>Prosaico em Prosa</title><subtitle type='html'>Rabiscos, nada mais.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3017701929546011772/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Caroline Valada Becker</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09443038235437520651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>12</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3017701929546011772.post-8366002534822743856</id><published>2010-04-07T11:05:00.000-07:00</published><updated>2010-04-07T11:06:26.964-07:00</updated><title type='text'>Olhar Corrompido</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando criança, estendida em qualquer canto da casa, assim que o sol invadia frestas ou perpassava cortinas, ela despertava. Não era preciso um brusco balançar de corpo, acompanhado de um hostil levanta, ou mesmo um despertador. Bastava a luz, em um primeiro momento tímida; em seguida, voraz. Devaneio infantil revisitado: recordava, por vezes, que, devido a essa peculiaridade, sentia-se predestinada a desvendar um não-sei-que único e precioso. Tempo transcorrido, a falsa magia perdera-se: passara a acordar imersa no vazio do escuro, no cheio da solidão. Hoje, quando a claridade massageia seus olhos, não mais está a dormir.&lt;br /&gt;Nesta manhã não seria diferente... despertou dos inexistentes sonhos e esperou o amanhacer, saudosa das certezas infantis, amarga das projeções adultas. Ali, deitada, espreguiçou-se, acariciou seu corpo e sentiu o odor acre do sexo, resquício da noite anterior. Agarrou o pingente de seu colar e rezou – desvencilhada da fé. Pensamento solto: um banho, precisava de um banho. Um leve esfregar dos olhos suscitou um desconforto no lado esquerdo da face, ignorou-o. O chão frio e denso recebeu seus pés. Levantou-se. Tocando a parede, desfilando a ponta de seus dedos pela massa corrida, acompanhou o desenho geomérico do quarto, um pouco desequilibrada, um pouco desesperada. Percorreu o pequeno espaço, chegando à porta que levava ao corredor, direção do banheiro. Hesitou... retornou, de costas, pelo mesmo percurso, acariciando, não seu corpo, mas a parede inacabada. Do cimento, passou à madeira e às suas frestas. Ainda de olhos fechados, sentiu a luz, de intensidade amena, machucar suas pálpebras. Um sentimento ansioso a invadiu, e conduziu suas mãos à fechadura. Num instante, escancarou a janela, permitindo que a luz molestasse sua carne nua. Entreteve seu pensamento por um breve instante, mas o odor, flutuando do valão, chegava ao segundo andar e visitava suas narinas, dilatadas e nervosas.&lt;br /&gt;O relógio despertou, assuntando-a. Correu para desligá-lo, sentando na cama. A luz já era intensa. Mirou seus pés e suas unhas vermelhas. Próximo ao leito, vestido e sapatos. Suspiro. Ao longe, percebeu o choro de Lucas, o bater da porta, o grito da mãe. Mirou suas mãos e suspirou. Estava atrasada para o trabalho. Seria advertida, mais uma vez, em menos de uma semana. Agora, deveria enrolar-se na toalha, descer a inclinada escada, disputar o banheiro, vestir o uniforme azul e embarcar no ônibus lotado. Suspiro – desta vez, acompanhado de uma ansiedade no estômago, a qual subiu até a garganta e teve seu destino no chão. Aliviada, desligou o despertador.&lt;br /&gt;Antes de sair, lembrou – preciso fechar a janela. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3017701929546011772-8366002534822743856?l=prosaicoemprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/feeds/8366002534822743856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/2010/04/olhar-corrompido.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3017701929546011772/posts/default/8366002534822743856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3017701929546011772/posts/default/8366002534822743856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/2010/04/olhar-corrompido.html' title='Olhar Corrompido'/><author><name>Caroline Valada Becker</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09443038235437520651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3017701929546011772.post-732549781472648626</id><published>2009-09-15T04:56:00.000-07:00</published><updated>2009-09-15T05:06:55.708-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quase Conto'/><title type='text'>Flores no Telhado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="color:#330033;"&gt;&lt;em&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="color:#330033;"&gt;&lt;em&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#330033;"&gt;&lt;em&gt;Numerar sepulturas e cameiros&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;color:#330033;"&gt;Reduzir podres a algarismos,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;color:#330033;"&gt;Tal é, sem complicados silogismos,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;color:#330033;"&gt;A aritimética hedionda dos coveiros!&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;color:#330033;"&gt;Augusto dos Anjos&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#330033;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#330033;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quando desligou o telefone, fitou seu filho e enunciou: - terei que ir buscá-lo. O problema não era recente, batia à porta há alguns meses. Foram incessantes ligações frustradas. Ninguém queria ceder! E Gisele, na verdade, não queria mais incomodações. Infelizmente, apenas ela poderia solucionar a situação. Afinal, eram três irmãs, uma vivia nos Estados Unidos e a outra vivia um divórcio.&lt;br /&gt;Gabriel, atônito, ofereceu sua companhia, solícito, como de costume. Ela agradeceu. Sabia que deveria ir sozinha. Abandonou seu livro e seu café pós-almoço, deu tchau para o cachorro e para o filho, referindo as prosaicas orientações: “Hoje trabalho até a noite. Não esquece de trancar a porta e fechar as janelas”.&lt;br /&gt;Desceu os quatro lances de escada. Adentrou o carro, um gol antigo, batido, e seguiu seu caminho – o qual não havia sido traçado por ela. Nas ruas, trânsito chato e lento. No rádio, Legião Urbana. Nostálgica, efeito-Legião, vislumbrou seus longos cabelos louros e mirou-se no retrovisor – ruiva, com alguma ruga. Sorriu. Lembrou-se de um dia tão abafado quanto aquele: um domingo, quando anunciou à família seu casamento. Seus dezoito anos ansiavam por liberdade e o matrimônio era a solução. Seu pai, ao invés de enfurecer-se, pegou o uísque e trancou-se no quarto.&lt;br /&gt;Uma buzina, enfim, roubou-a do devaneio – o sinal estava verde. Seguiu o caminho, rua após rua, e surpreendeu-se com as pedras que pareciam se acomodar no seu estômago. Hesitava: o mal-estar seria resultado dos trinta-e-oito-graus-quase-natalinos? Intimamente, sabia que a asia, a dor de cabeça e a herpes labial latejante eram resultado não da última ligação, recebida há meia hora, mas das últimas quarenta ou cinquenta ligações recebidas nos últimos seis meses. Sua razão o sabia. Sua aparência o denunciava. Sua voz o negava. Tríade exata.&lt;br /&gt;Trajeto encerrado. Lugar avistado: “Paraíso Terrestre”. Ao reler o letreiro, irritou-se. “Que asno batizou esse lugar?”. Respirou e percebeu a inutilidade daquela reflexão – já havia a elaborado, em forte diálogo, há quinze anos. Na recepção, que mais parecia um shopping, aguardou e observou. Demorou-se a examinar uma pequena placa de plástico. No retângulo, um imperativo, seguido de uma explicação: “Sorria. Você está sendo filmado”. Leu o pequeno recado a sorrir... e do sorriso foi ao desgosto.&lt;br /&gt;Finalmente, foi atendida. Estava calma. Parecia, na verdade, que havia bebido. Seus braços pesavam, seus pensamentos agitavam-se e sua visão estava embasada. O jovem de terno explicou, mais uma vez, a situação. “Veja bem, senhora, como mudamos de donos, estamos com um probleminha com espaços e... ... ...”. A falação a aborrecia, estava dispersa. “O que quero dizer é que terás que levar tudo contigo”. Gisele gargalhou. “Pedimos desculpas pelo transtorno e ... ... ...”. Um outro homem, sem terno e polidez, surgiu na sala com uma enorme sacola de plástico escuro. Colocou-a no chão e abandonou o ambiente.&lt;br /&gt;Gisele não acreditou. Indagou com um olhar intenso e a resposta foi aquela: “Pode levar”. Como uma marionete, ela levantou-se, agarrou a sacola e saiu. Seu corpo estava enveredado para direita, sua respiração descompassada e suava muito. Ao passar pela recepcionista, gritou “Sorria”. Transgressão que a deixou faceira. Definitivamente, era resultado dos trinta-e-oito-graus-quase-natalinos.&lt;br /&gt;Diante do carro, pensou em colocá-lo no porta malas. Não! Não poderia. “É claustrofóbico”, refletia. Optou, então, pelo banco ao seu lado. Afinal, era um passageiro. Um pouco desconcertada, começou a balbuciar: “Não acredito. Isso deve ser ilegal. Serei presa. Minimamente, multada!”. A cada sinaleira, fitava o banco ao lado, respirando sofregamente. Um pouco desconcertada, enunciou algumas palavras. E novamente, em um tom mais alto. Assim o fez até que passou a conversar com o amontoado de plástico. Falava e sorria. Narrava casos, lamentava situações. E sorria.&lt;br /&gt;Quando estava chegando ao trabalho, mudou de ideia. Ligou, disse que não poderia ir, que chegaria, apenas, para o turno da noite. Continuou, pois, a rodar pela cidade. Passeou pelo Cais, o Sol estava se pondo. Voltou ao centro, atravessou a Riachuelo – “Lembras que vínhamos aos sebos?”. E continuava a tagarelar. Em um momento dialógico-monológico, satisfazia-se. No entanto, a realidade a chamou: “Sim, eu sei. T enho que trabalhar”. Direciou-se à escola.&lt;br /&gt;No estacionamento, hesitação: “Vou te deixar no carro”. Não! Não poderia! Carregou a sacola com dificuldade. Deu boa tarde ao porteiro, adentrou a sala dos professores. Estava vazia. O cheiro de café recém-passado a convidou. Serviu duas xícaras e puxou duas cadeiras. Sete horas, o sinal soou. “Vou para sala”. Não, não poderia deixá-lo ali. Carregou-o até o segundo andar, sala 203.&lt;br /&gt;Os alunos a fitaram e a estranharam. Afinal, Gisele havia entrado na sala em diálogo-monológico, carregando uma sacola indefinida e pesada. Pegou uma cadeira, colocou-a ao lado da sua mesa e, com muito cuidado e esforço, acomodou a sacola. Sorriu. Deu boa noite e anunciou à turma a importância daquela aula - teriam um visitante. Os alunos gostaram da ideia e aguardaram ansiosos. “Quem será, sora? Que horas ele chega?”&lt;br /&gt;“Já chegou, ora! Está sentado aqui na cadeira.”&lt;br /&gt;Os alunos riram e acharam que era mais uma das brincadeiras da professora. Iniciou-se a aula. O assunto da noite: Augusto dos Anjos. Entre declamações e exposição inútil de características historiográficas, Gisele ministrou uma excelente aula – como há tempos não acontecia. Afinal, estava sendo observada. Mais uma vez, soou o sinal. Entre risos e deboches, os alunos agradeceram a presença do convidado. Gisele, emocionada, deu boa noite – “Até semana que vem”.&lt;br /&gt;O retorno para casa foi tranquilo – excetuando o carregar a sacola, que, ao final do dia, parecia estar mais pesada. No carro, cansada, dirigiu calada. Nos quatro lances de escada, no prédio, ficou sem fôlego, carregando aquela enorme sacola.&lt;br /&gt;Adentrou a sala. Pediu silêncio ao cachorro, o que foi inútil. À sua volta ele latia incessantemente e tentava rasgar a sacola. Gabriel dormia no sofá da sala, na companhia da tv. Gisele correu para o quarto e trancou a porta. Com delicadeza, pôs a sacola na poltrona, ao lado da pilha de livros e ligou o abajur. Sem sapatos, com a mesma roupa, esticou-se na cama, fechou os olhos e, docemente, balbuciou:&lt;br /&gt;“Boa noite, Pai”.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3017701929546011772-732549781472648626?l=prosaicoemprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/feeds/732549781472648626/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/2009/09/flores-no-telhado.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3017701929546011772/posts/default/732549781472648626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3017701929546011772/posts/default/732549781472648626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/2009/09/flores-no-telhado.html' title='Flores no Telhado'/><author><name>Caroline Valada Becker</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09443038235437520651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3017701929546011772.post-7627406502067786895</id><published>2009-08-26T11:38:00.000-07:00</published><updated>2009-08-26T11:39:27.395-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quase Conto'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#663366;"&gt;“Mais uma vez... a porta bateu. Respirar dói e tento evitar. Impossível. Silêncio. Preciso do silêncio. Sabes? O acordar tornou-se um sacrifício. Da felicidade ao desespero. Da acomodação à inquietação. Eis tudo. Ouvi... ouvi de novo. Mais uma vez! Ah, se soubesses. Melhor: se visses o que vi. Hoje, não diferentemente de ontem, levantei-me e observei-me – silenciosamente. Decepção! Olhar decaído, com a cor de uma rosa branca, bela, mas seca – talvez aquela que me deste há mais de dez anos. Este lugar quadrado irrita-me! Branco. Quanto branco – paredes, lençóis, roupas. Um espelho sem reflexo. Perdi-me: sem imagem não me reconheço. Lembro do último dia em que... Mais uma vez! Ouvi! Queres saber, odeio o silêncio. Menti. Aquele dia... aquela manhã... nunca contei-te, não é?! Leve piscar matinal, acompanhado de um leve arder – indício de choro. Espreguicei-me. Encontrei-o. Ignorei. Levantei-me, um pouco embriagada. Não me repreenda! Precisava de água, precisava de café. Passei pela sala, fui à cozinha. Naquele tempo não havia esse som, esse ressoar de palavras irritantes. E as paredes eram azuis. Bebi – não água, mas vodca. Acreditas? Acabei de sorrir... Eu também não acreditaria. Culpa desse silêncio. No banheiro, diante do espelho, nua... linda. Era! Não entendi... e esse som era aquele som, quase um explodir. Então chegaste. E eu sorri, acrobata da dor. Sabes, tenho sonhado com o mar. Imenso e colorido. Às vezes com o céu cinza. Gosto de cinza. Lembras como eu roubava tuas roupas? Diante do mar, meus pés sentiriam a areia. Sem hesitações, eu me jogaria ao chão e receberia um abraço verdadeiro. Se lá eu estivesse, mar adentro eu procuraria uma resposta. Não tenho mar. Tenho, apenas, uma caneta.”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3017701929546011772-7627406502067786895?l=prosaicoemprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/feeds/7627406502067786895/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/2009/08/mais-uma-vez.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3017701929546011772/posts/default/7627406502067786895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3017701929546011772/posts/default/7627406502067786895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/2009/08/mais-uma-vez.html' title=''/><author><name>Caroline Valada Becker</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09443038235437520651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3017701929546011772.post-4505197105712328839</id><published>2009-06-18T12:17:00.000-07:00</published><updated>2009-06-18T12:20:07.547-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quase Conto'/><title type='text'>Doce Azedo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#330033;"&gt;Com as mãos trêmulas, agarrou o envelope, agradeceu à recepcionista e jogou-se às ruas. Chovia. Enlouquecidas, amparadas por guarda-chuvas e garregando sacolas, as pessoas caminhavam – ou degladiavam – por calçadas estreitas. Ela, avessa ao mundo, com as pernas trêmulas, trilhava seu caminho, desprotegida da chuva – e do destino.&lt;br /&gt;                Ora com furor no movimento dos pés, ora a arrastar-se, ela caminhava, em direção à resposta. Ansiava por um momento de sossego, quando poderia sentar-se e respirar pausadamente. A curiosidade a dominou e a pressa assumiu o comando – pôs-se a correr. Como uma criança que foge de casa para brincar na chuva, em oposição ao mau humor do mundo real, ela sorria – leve sinuosidade dos lábios, brilho intenso do olhar.&lt;br /&gt;                Enfim, seu destino: longa fila diante da placa “630 – Bairro São Sebastião”. Encaixa-se na linha irregular e espera. Seus pensamentos confundem-se com os desafinados e ritmados gritos de “vende-se”. Respira. Sente seu corpo molhado – pés excessivamente gelados. Fita-se, à distância. Seu vulto delineado em uma vitrina a espanta. Leva a mão direita ao rosto, desfazendo-se da chuva. Lembra-se da mãe esquerda. Observa-a. Rija, amassa o envelope. Respira.&lt;br /&gt;                Ao embarcar, opta por um assento à janela. Inicia-se a jornada. Ela, fugindo, observa à sua volta. Pessoas: sorrisos inexistentes, olhares a procurar. Desânimo. Ônibus: balançar. Janelas: a rua a chorar. Suspira. Em um movimento lento e leve, inclina sua face em direção à sua mão. Tenta desfazer-se das pessoas, das ruas e da chuva. Não consegue, pois um jovem casal, à sua frente, a distrai. Entre sussuros e abraços, desenibidos, beijam-se.&lt;br /&gt;                Acordar da memória: lembra-se da sua única paixão adolescente. Ruan, um colega da escola. Durante três anos, desenhou-o em seus sonhos, imaginando-o de armadura – e, por vezes, totalmente desvencilhado dela. Travessa, no final do último ano de colégio, roubara uma foto que ele sempre carregava no caderno. Escondeu-a, como um trofeu, no meio de suas roupas. O símbolo de sua coragem, no entanto, foi motivo de vergonha. Sua mãe, certa vez, encontrara a fotografia e, como resposta, nomeou a filha depravada e burra, pois um garoto como aquele, disse ela, jamais a olharia. “De fato, nunca olhou”.&lt;br /&gt;                Um trepidar intenso salvou-a do devaneio. “Quem sabe um sonho?”. Imediatamente, observa sua mão e encontra o envelope. Com pernas e mãos trêmulas, frio sobreposto ao nervosismo, ela decide, então, abri-lo. Lentamente, corrompe o papel branco. Sente suas faces úmidas. Deseja ler. No entanto, nuvens de imprecisão instalam-se à sua frente. Azedo acordar da memória: há duas semanas, o fim. Síntese: cinco anos de envolvimento, três anos de noivado e um minuto para enunciar “não quero mais”. O fim.&lt;br /&gt;                Primeiro beijo. Primeira transa. Primeiros sonhos de véu e grinalda. Sua puerilidade a condenara. Após anos de submissão – diálogos traformados em monólogos; transas, em sacrifícios; desejos, em frustrações-, o fim. Quando voltou para casa, no dia em que ele partira, ouvira algo que reverberou em sua memória – filha, um homem como esse jamais escolheria ficar contigo pra sempre. “De fato, não escolheu”.&lt;br /&gt;                Discretamente, secou suas bochechas rosadas, suspirou e abriu o envelope. Percebera, no entanto, que deveria descer. Fitou o papel branco e úmido. Sorriu: forte sinuosidade dos lábios. Amassou os papeis e enfiou-os no bolso.&lt;br /&gt;                Desembarque. Caminhar: pé ante pé. Sons discretos. Noite a nascer. Cidade a dormir. A chuva cessara e ela trilhava com tranquilidade. À caminho do destino, observando ruas e pracinhas do passado, ela seguia. O silêncio invadira a noite, incitando pensamentos. Eis que eles assumem-se como inexistentes. Vazio reflexivo: a observar seus sapatos, caminha pela calçada, entretida em um jogo – não pode pisar nas linhas, apenas nas pedras.&lt;br /&gt;                Diante de um grande portão de ferro, seu corpo desestabiliza-se, trepidando como se ainda estivesse no ônibus. Desembarca mais uma vez, desta vez de si, e abre o portão. Atravessa o longo pátio. À esquerda, uma goiabeira; à direira, a antiga casa de madeira. Ereta, ela caminha, adentrando memórias, misturando-as a projeções.&lt;br /&gt;                Aproxima-se da porta principal. Procura a chave na bolsa. Encontra. Direciona sua mão – não mais trêmula – à fechadura e é surpreendida “Filha, hoje chegaste tarde”. Em um instante de imprecisão, afasta a senhora de chinelos e corre ao banheiro.&lt;br /&gt;                Quando chega à porta, a mãe, compreende. Sua filha, ao lado da privada, segura, em uma das mãos, uma toalha, que auxilia no processo de limpeza; na outra mão, o envelope, enunciando “Irene, 28 anos, positivo”. Com um largo sorriso, a jovem observa sua mãe, suplicando... e ouve, como resposta “E estás feliz? Não tens vergonha?”. As chinelas arrastam-se para o lado oposto.&lt;br /&gt;                No chão, com as roupas molhadas e os pés gelados, com os cabelos, agora, melecados, ela estava sentada. Na mão, a resposta do destino. Na  boca, o gosto azedo da solidão. No corpo, a sensação mais feliz que sentira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3017701929546011772-4505197105712328839?l=prosaicoemprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/feeds/4505197105712328839/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/2009/06/doce-azedo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3017701929546011772/posts/default/4505197105712328839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3017701929546011772/posts/default/4505197105712328839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/2009/06/doce-azedo.html' title='Doce Azedo'/><author><name>Caroline Valada Becker</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09443038235437520651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3017701929546011772.post-5881466231752026013</id><published>2009-06-05T06:13:00.000-07:00</published><updated>2009-06-05T06:17:30.995-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quase Conto'/><title type='text'>Caixinha de Lembranças</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#330033;"&gt;Acordo antigo, quase caduco: um almoço, um domingo - uma visita. Seis meses de telefonemas. Data, horário e cardápio acertados foram alternados com pedidos de perdão e promessas de “logo-logo-quem-sabe-semana-que-vem”.&lt;br /&gt;Possibilidade de desculpas esgotadas e, enfim, acertaram “Domingo, onze horas”. Uma hora de atraso e, ao longe, a capanhia soa, em baixo tom, esperança e desconforto. A anfitriã, calçando chinelos de pelo, joga-se à porta, apoiando-se na maçaneta, e mira, com o olho esquerdo, a pequena circunferência mágica. Entre nuvens e indefinições, reconhece os traços de Lilica.&lt;br /&gt;Um suspiro e um girar de chaves. Ranger de portas e de lábios – dobradiças velhas e sorrisos enferrujados. Adentrantam a sala, que é quarto, cozinha e pátio.&lt;br /&gt;“Lilicote, minha filha!”.&lt;br /&gt;“Não me chama assim, sabes que eu não gosto”.&lt;br /&gt;Abraço seco e beijo murcho. Sentam-se. Olham-se. A anfitriã sorri, exibe poucos dentes e muito afeto. A visitante suspira e arrepende-se, pois o cheiro congestiona seu estômago. O ambiente foi inundado por fragância de cebola, misturada aos aromas do prato principal, língua cozida, e aos dois incensos que queimavam à beira da minúscula janela.&lt;br /&gt;Enquanto a anfitriã interroga a visitante, sedenta por novidades ou por um sopro de vida, Lilica observa, murmurando respostas monossilábicas, por vezes incoerentes. A jovem já não tão jovem, sente-se aflita. À sua frente, uma desconhecida. A cada centímetro, um objeto. Vacas, bonecas, bebês, casinhas e pratos – todos de porcelana – desfilam, em miniatura, nas poucas prateleiras. Nas paredes, quadros de flores desbotadas e imagens de quase todas as personagens cristãs, algumas sem pernas ou um cantinho da cabeça, somam-se a panos de prato pendurados em pequenos pregos.&lt;br /&gt;Almoço servido: pratos e talheres. Mastigar. Indigestão. Banheiro. Lilica mira-se no pequeno espelho, suspenso por um cordão e com uma mancha negra à direita. Observa-se e arrepende-se.&lt;br /&gt;De volta à mesa, que fica colada à cama e ao fogão de duas bocas, a anfitriã sorri, exibindo poucos dentes e muito afeto. Lilica balbucia poucas perguntas, prosaicas, desvencilhadas de verdadeiro interesse. Ouve as respostas em meio a suspiros, sem emoção. Verborrágica, mesmo que um breve instante, narra sua última briga com o namorado e o fim de um relacionamento de seis meses. A interlocutora, emocionada, agarra sua mão, mira seus olhos e chora uma lágrima.&lt;br /&gt;“Está na minha hora”. Fiel a seus hábitos, Lilica realiza a visita de uma hora. Uma hora que se traduz em percepções múltiplas: para uma, dez minutos; para outra, a eternidade. Pega sua bolsa, olha a sua volta, fita sua mãe e não contém as lágrimas – apenas duas. Movimentam-se em direção à saída, liberdade para uma, solidão para outra.&lt;br /&gt;Porta fechada. Louça na pia. Lágrimas. A ex-anfitriã afasta os cobertores bagunçados e senta-se na cama. Abre a gaveta de um pequeno móvel e retira uma caixinha, preta, pequena, com o desenho de uma bailarina. Abraça a caixa como gostaria de ter abraçado sua filha e coloca-a, cuidadosamente, sobre a cama. Abre-a. O som inunda o quarto, dissipando esperança. Largou os chinelos, deitou-se na cama. Agarrou uma fotografia e cantarolou, em união com a caixinha: “Nesta rua, nesta rua tem um bosque, Que se chama, que se chama, solidão...”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3017701929546011772-5881466231752026013?l=prosaicoemprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/feeds/5881466231752026013/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/2009/06/caixinha-de-lembrancas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3017701929546011772/posts/default/5881466231752026013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3017701929546011772/posts/default/5881466231752026013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/2009/06/caixinha-de-lembrancas.html' title='Caixinha de Lembranças'/><author><name>Caroline Valada Becker</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09443038235437520651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3017701929546011772.post-140222913101347714</id><published>2009-03-18T09:04:00.000-07:00</published><updated>2009-03-18T09:07:36.061-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quase Conto'/><title type='text'>Apenas Chinelos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#663366;"&gt;Sua semana iniciara com uma frase simples, porém catastrófica – “Amanhã iremos a duas entrevistas”. Frase enunciada, crise instaurada. Nariz retorcido, olhos revirados e um intenso balbuciar de xingamentos, eis o resultado da informação. Ela reclamava, contorcendo-se em sua raiva, mas o fazia em volume moderado. “E pára de reclamar... é para o teu bem”.&lt;br /&gt;Pé ante pé, ainda a retorcer-se, subiu os degraus. Observou-os. Sujos e inúteis. Bom seria se eles a levassem a outro universo, universo desprovido de pais. Entretanto, os degraus a levaram, apenas, para a cama, onde sentia-se protegida – lá estava Jujuba, sua boneca.&lt;br /&gt;“Bom dia”.&lt;br /&gt;“Péssimo dia”.&lt;br /&gt;Aprontara-se. Do seu armário escolhera as peças que mais lhe agradavam: berbuda larga, azul, até os joelhos; camiseta branca, apertada, com o símbolo dos Racionais na frente e um trecho de música atrás – Aqui estou mais um dia, sob o olhar sanguinário do vigia - e, o principal, chinelos. Sujos e velhos. Adorava-os.&lt;br /&gt;Quarto abandonado. Porta fechada. Carro ligado. Trânsito. “E vê se coloca um sorriso nestes lábios”. Nariz retorcido, olhos revirados. Balbuciar... mudo. Uma rua após a outra, uma sinaleira depois da outra, e seu desejo era único: queria fugir. Quando desceu do carro, por um breve insatnte, pensou em correr – a fuga perfeita. Entretanto, sabia que não poderia escapar. Respirou. Movimentou seu rosto para o alto e seus olhos fitaram o que poderia ser o seu futuro: colégio de freiras.&lt;br /&gt;Lágrimas surgiram em seus olhos. O desespero era inevitável, até uma criança choraria. Campainha. Freira. Entraram. Sala de espera. Entrevista. “E vê se responde com educação!”. Enquanto perguntas estúpidas e exposição de pedagogia escolar dispensável eram anunciadas, ela, a vítima, lutava. “Não posso chorar. Não vou chorar. Não posso chorar”. Após a freira elogiar a família, afinal, são poucos os pais que não se divorciam, e expor as bobagens religiosas da escola, veio a informação cabal: “O uso do uniforme é obrigatório. E nada de sapatos abertos”.&lt;br /&gt;Sorriso. Sim, um sorriso surgira naquele rosto pueril. “Mãe, escola com uniforme não. Nós combinamos”. De fato, haviam combinado. Despediram-se entre agradecimentos e lamentações, dos pais, obviamente. “Adeus!”.&lt;br /&gt;Roteiro da manhã: próxima entrevista, no próximo colégio. Carro. Ruas. Sinaleiras. “E se batessemos o carro? Ninguém precisa se machucar...”. Outro colégio, mais uma Igreja. Desta vez, sem capainhia, mas com porteiro. Com sala de espera, mas sem demora. Uma jovem estremamente simpática os recebeu. Afinal, apesar da Igreja enorme, não era uma freira.&lt;br /&gt;Ela, a guria de bermuda azul, corajosa e petulante, sentia-se minúscula. Absolutamente séria, retorcia o nariz e revirava os olhos. “Temos aulas de balé, de futsal, de música...”. Blá, blá, blá – eis a informação que seu cérebro decodificava. No entanto, uma frase modificou seu interesse. Engraçado como uma simples frase enunciada pode tranformar uma situação!&lt;br /&gt;“O uniforme não é obrigatório e podes usar chinelos”. Das lágrimas fez-se o sorriso. “Aqui, mãe, aqui”. Contas acertadas, cheques distribuídos e agenda recebida. Na volta para casa, ao entrar no carro, ela percebeu uma tristeza terrível. Tristeza? Não, era medo. “Mãe, será que a sétima série é difícil?”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3017701929546011772-140222913101347714?l=prosaicoemprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/feeds/140222913101347714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/2009/03/apenas-chinelos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3017701929546011772/posts/default/140222913101347714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3017701929546011772/posts/default/140222913101347714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/2009/03/apenas-chinelos.html' title='Apenas Chinelos'/><author><name>Caroline Valada Becker</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09443038235437520651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3017701929546011772.post-9155084590612658735</id><published>2009-02-18T09:56:00.000-08:00</published><updated>2009-02-18T10:01:34.636-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quase Conto'/><title type='text'>Expectativas: evite-as.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#330033;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#330033;"&gt;Chegara cedo. Poucos lá estavam. Ansiosa, mirava a porta e o relógio, o relógio e a porta, as pessoas e o relógio. O dia que entregara a papelada havia sido muito parecido – preocupação com horários e ansiedade. Entretanto, naquela ocasião, a confiança a dominava. Afinal, acreditava no que havia escrito.&lt;br /&gt;Nesta ocasião, diante de porta e concorrentes, todos tão aflitos quanto ela, a insegurança a dominava – apesar de ainda acreditar no que havia escrito. Distraíra-se em seu pensar, repassando frases, objetivos e justificativas de suas palavras, já entregues, impossibilitadas de mudança. Distraíra-se e não percebera que a porta, a enorme porta, havia modificado sua disposição.&lt;br /&gt;Olhou relógio e pessoas – as quais se amontoavam diante de um painel negro, no qual uma lista tosca, com pequeninas letras, denunciava o resultado da seleção. Para a quantidade de inscritos, os enlouquecidos pelo resultado, naquele dia e horário, eram poucos. Alguns jovens. Outros nem tanto. Todos ansiosos. Inclusive ela, que observa sorrisos e lágrimas naqueles que, vagarosamente, afastam-se da tabela dos escolhidos.&lt;br /&gt;Sua vez chegara. E pensou “não chorarei”. Havia projetado como daria a notícia, via mensagem, àquele que por ela torcia – “finalmente, uma conquista”. Repreendera-se em todas as ocasiões. Entretanto, o pensamento retornava e, naquela noite mal dormida, imersa em ansiedade abdominal e em sonhos cinzas, havia aceitado – “é possível”.&lt;br /&gt;Acordara de um sono que se aproximava a um coxilo. Espelho – olheiras. Café – indigestão. Ônibus – enjoo. E lá estava ela. Chegara cedo. E agora, sua vez. Deixou que todos comemorassem ou lamentassem e direciou-se ao painel negro. No centro, a pequena folha com pequenas letras dizia “Abaixo, a lista dos selecionados”. Ordem alfabética. Correr de olhos angustiante: a, b, c... o s, quero o s. Encontrara o s, mas não encontrara seu nome.&lt;br /&gt;Quebra de promessa – lágrimas surgem. Timidamente, leves passos inicia em direção à saída, em direção a uma fuga. Fuga à frustação. Infelizmente, não era possível fugir. Ainda assim, caminhava. Um caminhar que se aproxima de um correr e a cada passo, uma nova lágrima. Esconde o rosto e acelera o caminhar. Inútil, já está a chorar.&lt;br /&gt;Calor. Calçadas tumultuadas. Gritos de vende-se. As pessoas a observam. Mais alguns passos e ela alcança a parada. Degraus. Cobrador. Lágrimas. “Como se nunca houvesse visto alguém chorar”. Não há bancos vazios. Opta por dividir o espaço com uma velhinha – “melhor que o garoto cheio de espinhas”. Senta-se. Cabeça baixa. Olhos vermelhos.&lt;br /&gt;- Minha filha, o que houve?&lt;br /&gt;- Frustração.&lt;br /&gt;- Ah... pensei que tinhas um problema!&lt;br /&gt;O ônibus inicia seu trajeto. O balançar a enjoa. O cheiro da senhora ao seu lado, também. Seus pensamentos a incomodam. Sente que seu corpo não a obedece, sua e treme. Algo azedo e ardente sobe desde seu estômago até sua boca. Volta-se para a janela, objetivando o bem-estar, no exato momento em que o ônibus adentra a rua Voluntários da Pátria. Na calçada, alternam-se prostíbulos, bares com sinuca e cachaça, pesagem de material reciclado e igrejas Evangélicas. Desfilam prostitutas, bêbados, crianças – quase todos descalços. Inspira e, pela última vez, o cheiro da senhora ao seu lado a enjoa.&lt;br /&gt;- O gosto da frustração é azedo.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3017701929546011772-9155084590612658735?l=prosaicoemprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/feeds/9155084590612658735/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/2009/02/expectativas-evite-as.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3017701929546011772/posts/default/9155084590612658735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3017701929546011772/posts/default/9155084590612658735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/2009/02/expectativas-evite-as.html' title='Expectativas: evite-as.'/><author><name>Caroline Valada Becker</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09443038235437520651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3017701929546011772.post-3266384602360394304</id><published>2009-02-13T09:53:00.000-08:00</published><updated>2009-02-13T10:02:48.383-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quase Crônica'/><title type='text'>Corpos Sarados e Livros Amados</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#330033;"&gt;“Faltam três meses para o verão” – a faixa, a longa faixa, incita o desespero. Mulheres e homens, é um dever: corpo sarado para o verão. Sarado... Pergunto-me, que tipo de palavra é está!? “Quando casar, sara”. Certo, sarado, então, é sinônimo de curado. Curamo-nos de uma doença. Certo... Adjetivamos um corpo malhado de sarado. Esse corpo não é, com certeza, gordo. Logo, estar gordo é estar doente. Absurdo!&lt;br /&gt;Entretanto, convenci-me: academia, aí vou eu. E lá eu fui. Alguém sabe porque colocamos paredes nas casas? Para que aqueles que estão do lado de fora não nos vejam. Academias, de modo geral, não seguem essa dinâmica – quanto mais exposição, melhor. As paredes viram vidros. Vitrinas de corpos!&lt;br /&gt;Abstração. Pé ante pé, adentra-se o ambiente engajado contra o sedentarismo. A música: dance, tecno ou Beyoncé. Somado à pretensa música, um permanente soar de ferros: são os pesos dos aparelhos. Acredita, 10, 20, 30 kg. Quem consegue movimentar braços e pernas com tanto peso inútil sobre eles? A resposta entra na sala usando bermuda colada, camisa regata e luvas – um armário com pernas, eu diria (pernas magrinhas!).&lt;br /&gt;A música não me agrada e sinto-me exposta. E agora, José? Esteira, farei esteira. Caminhar é sempre agradável. Iniciar, velocidade 5, tropeço. Ninguém vê. Como? Estão todos absortos em suas imagens – há espelhos por todos os lados. Vidros e espelhos, qual escolher? Não quero me observar. Fujo aos espelhos. Observo as pessoas: mulheres lindíssimas, desenhadas em calças justas e blusinhas curtas. Por que elas estão aqui? Bundas perfeitas: nádegas roliças que não balançam; coxas sorridentes e durinhas; barrigas que expõem umbigos exibidos. Rapidamente, fito-me no espelho: peciso comentar? Força, pé ante pé, esteira a rodar, tempo a passar. Desisto de observar. Fujo do espelho, fujo da vitrina, fujo do observar. Admiro meu par de tênis – velho! Em silêncio, numa permanente tentativa de ignorar a música e os ferros estridentes, admiro um par de tênis.&lt;br /&gt;“Oi! Gostas de academia. Ahh... eu adoro. Vens sempre aqui?”. Blá, blá, blá. Não é saudável falar durante o exercício. Até eu sei disso! Não quero responder, mas não há como evitar. Respostas monossilábicas. Sim, não sou simpática. Odeio academia! Salvo-me: completei uma hora de esteira. Livre estou. Corre em minha direção um armário de regata amarela: “não farás um treino de musculação?”. Fuga: pé ante pé, deixo a música, os ferros, os corpos perfeitos. Livre. Mas terei que voltar! A faixa me avisa: “o verão está chegando, faltam dois meses”.&lt;br /&gt;Mês seguinte. Pé ante pé, adentro o ambiente engajado contra o sedentarismo. Ligo a esteira. Ignoro música, vitrina, espelhos e corpos perfeitos. Não observo meu par de tênis. Encontrei o entretenimento ideal: leio meu livro! A escolha da semana: coletânea de crônicas e poemas de Vinicius de Moraes. Ontem, encerrei minha uma hora de caminhada com o poeta falando-me, em forma lírica, sobre como preparar uma feijoada – feijoada à moda Vinicius. Que delícia.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3017701929546011772-3266384602360394304?l=prosaicoemprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/feeds/3266384602360394304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/2009/02/corpos-sarados-e-livros-amados.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3017701929546011772/posts/default/3266384602360394304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3017701929546011772/posts/default/3266384602360394304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/2009/02/corpos-sarados-e-livros-amados.html' title='Corpos Sarados e Livros Amados'/><author><name>Caroline Valada Becker</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09443038235437520651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3017701929546011772.post-6903397162975244670</id><published>2009-02-06T18:38:00.000-08:00</published><updated>2009-02-13T10:01:54.582-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quase Conto'/><title type='text'>Mar Adentro</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#330033;"&gt;&lt;em&gt;Ninguém deveria deixar espelhos pendurados em casa.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#330033;"&gt;&lt;em&gt;Virginia Woolf&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#330033;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#330033;"&gt;Estática, com seus olhos fechados, inspirou. Extática. Azul misturado ao branco e seco misturado ao molhado. Seus pés, sustentação prosaica, sentiram a quente areia anunciar-se. Caminhar lento, impreciso – talvez perdido, quem sabe desiludido. Extática, posicionou-se a contemplar. Estática, pernas afastadas, corpo ereto, mãos abertas. Lento pensar e apenas um movimento preciso – braços que se abrem. Infinito desejo de arrebatar mar e ar.&lt;br /&gt;Braços estendidos, olhos fechados, indiferença ao mundo. O som das águas invade seus pensamentos. Alguns passos e alcança a areia molhada. Quando a água gelada corrompe seu corpo, o seco dos olhos despede-se. Suspiro. Alguns passos e retorna – joga corpo e anseios na areia. Por que sentar se é possível deitar? Estende corpo, anseios e pensamentos. As mãos acariciam a morna e branca manta.&lt;br /&gt;Observa o céu, desvendando as nuvens, entre monstros e dragões. Observa o céu e foge às lembranças daquela manhã, daquele encontro perturbador. A rotina: tomou seu café em sua xícara colorida e sentou-se com seu livro em sua cama bagunçada. Bebeu e leu. Foi ao banheiro e então, inesperadamente, a encontrou. Olhos inquisitores assumiram o controle, desestabilizando-a. Suspirou e aceitou o momento. Queria gritar, ansiava por uma ação, mas apenas balbuciava. Queria brigar, ansiava por uma mudança, mas apenas respirava.&lt;br /&gt;Desconforto. Aquele olhar expressivo significava inúmeras sentenças. Aquele par de olhos acusava-a: “covarde. fraca. inútil. insignificante”. A angústia invadiu seu corpo e, aterrorizada, fugiu. Correu até a praia. Ambiente onírico, belíssimo – minha fuga, pensou. Estática, com seus olhos fechados, inspirou, imersa em desconforto, objetivando o esquecimento.&lt;br /&gt;Naquela manhã, havia deparado-se com sua imagem. Reflexo que não a refletia, que não materializava seu eu. Imagem que a assustava. Olhos vazios. Na sua cama, agarrada ao seu livro, havia conforto. No entanto, uma mudança: um espelho, uma imagem, muitas hesitações. Mar adentro, procuraria a resposta. Uma resposta sem reflexo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3017701929546011772-6903397162975244670?l=prosaicoemprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/feeds/6903397162975244670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/2009/02/mar-adentro.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3017701929546011772/posts/default/6903397162975244670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3017701929546011772/posts/default/6903397162975244670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/2009/02/mar-adentro.html' title='Mar Adentro'/><author><name>Caroline Valada Becker</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09443038235437520651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3017701929546011772.post-5147932014378094572</id><published>2009-01-13T19:59:00.000-08:00</published><updated>2009-02-13T10:01:20.589-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quase Poesia'/><title type='text'>Agora-a-existir</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#330033;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Como fazia Caio Fernando Abreu, em suas crônicas, indico uma música para a leitura:&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#330033;"&gt;&lt;em&gt;"Elephant Gun", Beirut. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#330033;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Apesar do cinza, do melancólico cinza, ela sorria.&lt;br /&gt;No lugar exato, ela estava... universo onde o impossível torna-se um agora-a-existir.&lt;br /&gt;À sombra, em meio a folhas secas e cinzentas, porém sorridentes, ela estava.&lt;br /&gt;O prosaico: Drummond em suas mãos.&lt;br /&gt;Suspirou. Abandonou o livro. Pressentira: fechou os olhos e sorriu - era ele.&lt;br /&gt;Ele tocou, levemente, seus cabelos morenos, balbuciou, docemente, ao seu ouvido.&lt;br /&gt;Suspiro. Dela e dele.&lt;br /&gt;Hesitação inexistente implica corpos incontroláveis: bocas a morder, mãos a passear, saliva a salivar – desejo a sufocar.&lt;br /&gt;O peito dela colado ao peito dele – ambos a trepidar.&lt;br /&gt;Olhos que buscam e que encontram. Momento epifânico - “pra sempre”.&lt;br /&gt;Corpos colados, sedentos pelo gozo.&lt;br /&gt;Hesitação inexistente. O corpo dela. O corpo dele. Perfeição!&lt;br /&gt;Lábios suculentos assumem os movimentos das mãos, lambuzando pescoço, peito e sexo.&lt;br /&gt;E beijam-se com a ardência inerente a um toque de adeus.&lt;br /&gt;Hesitação inexistente.&lt;br /&gt;E... ... ... ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o despertador a gritar!&lt;br /&gt;Ela no lugar exato: em seus sonhos. O cinza do mundo onírico a colorir seus anseios, autorizando a felicidade.&lt;br /&gt;Remexe-se na cama, impaciente, sonolenta, olhos entreabertos.&lt;br /&gt;Remexe-se na cama e encontra-o.&lt;br /&gt;É ele! Ele é o seu agora-a-existir.&lt;br /&gt;Ele pressente: acorda e sorri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cinza, agora, é colorido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#330033;"&gt;Setembro de 2008&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3017701929546011772-5147932014378094572?l=prosaicoemprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/feeds/5147932014378094572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/2009/01/agora-existir.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3017701929546011772/posts/default/5147932014378094572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3017701929546011772/posts/default/5147932014378094572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/2009/01/agora-existir.html' title='Agora-a-existir'/><author><name>Caroline Valada Becker</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09443038235437520651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3017701929546011772.post-6372458100154184985</id><published>2008-12-24T12:34:00.000-08:00</published><updated>2009-02-13T10:00:14.394-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quase Conto'/><title type='text'>Acaso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#663366;"&gt;Incoerência temporal: conheciam-se há algumas semanas, nada mais. No dia anterior, haviam combinado e, agora, estava ela diante do espelho.&lt;br /&gt;Mirava-se e amassava os cabelos, soltos, cheios. Um leve rubro no rosto, lábios rosados, olhos livres de maquiagem, mas brilhantes. Vestido azul, até os joelhos, marcado na cintura, nada muito apertado. Perfume, colar e pequeninos brincos de pérola. Estava atrasada.&lt;br /&gt;Engatou a primeira, ligou o rádio e sorriu. A ansiedade, definitivamente, invadira seu corpo. Cantarolava, mas sequer Marisa conseguia tranquilizá-la. Esquerda, direita, duas quadras, esquerda... Estacionar, sempre um problema. Ansiedade intensificada. Respira. Desliga o motor, tranca a porta, olha o bar. Sorri. Não sabe explicar - ou não se permite assumir - o por quê de tantos sorrisos bobos e intensos.&lt;br /&gt;Naquela noite de primavera, mira o bar. Caminha, talvez com a ansiedade controlada. Ela, a rua e o bar. Pensamentos enlouquecidos projetam situações e ensaiam frases. Repreende-se, acha graça de si mesma – quem diria? Engolia a ansiedade, transformando-a em minúsculas borboletas.&lt;br /&gt;À porta, encontrou-o. Um sorriso faceiro somado a um olhar velado desenharam-se. Nela e nele. Aproximaram-se. Beijaram-se. Não sabiam, mas haviam, em outras situações, mesmo que levemente, tocado um a mão do outro. Sutilezas do acaso.&lt;br /&gt;Entraram: cadeira, mesa e vinho. Beijo e música. Chico e beijo. Elis e vinho. Beijo e beijo. Um toque que estremesse corpo - o dele e o dela. Violão e vozes. Língua e lábios. Combinações exatas.&lt;br /&gt;- Autores?&lt;br /&gt;- Nelson Rodrigues.&lt;br /&gt;- Cores?&lt;br /&gt;- Poucas e desbotadas.&lt;br /&gt;Incoerência temporal: conheciam-se há algumas semanas, nada mais. E ali estavam a sorrir e a beijar. Coerência temporal: lá estavam há quatro horas, oscilando entre perguntas e repostas, vinhos e beijos, músicas e lambidas.&lt;br /&gt;No banheiro, ao reorganizar o cabelo, monólogo: - Controla-te. Na mesa, ao degustar o último gole, corrompera-se: - Vamos!&lt;br /&gt;Engatou a primeira, o observou e sorriu. Aceitara o convite e a ansiedade, transgredindo espectativas, fora embora.&lt;br /&gt;- Agora à esquerda, à direita. Continua. Chegamos.&lt;br /&gt;- Tem alguém em casa?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- O que estou fazendo aqui, então? – apenas pensara. Queria lá estar e, por isso, as borboletas haviam sumido.&lt;br /&gt;Para traçar um silencioso caminhar, utilizaram o pouco de concentração que ainda resistia em seus corpos. Lento caminhar e, em meio ao cinza do corredor, olhavam-se - talvez temerosos. Chave na porta, lento abrir.&lt;br /&gt;- Vou tirar os sapatos – sussurou.&lt;br /&gt;- Por aqui...&lt;br /&gt;Sentaram-se na cama - não havia outra possibilidade. Lugar agradável – violão, paredes brancas. Silenciosamente, beijavam-se. Lascivamente, tocavam-se. Movimentos constantes denunciavam o desejo latente de seus corpos. Língua e saliva agiam, conquistando espaços, desvendando pele. Não havia hesitações. Incoerência temporal: conheciam-se há algumas semanas, nada mais. Entretanto, ali estavam e desejavam...&lt;br /&gt;- Não achas melhor apagares a luz? – com espontaneidade, ela disse.&lt;br /&gt;Ele levantou-se – surpreso – e realizou o pedido enunciado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao acordar, sozinho, faceiro, observou o quarto e encontrou, à cabeceira da cama, três pulseiras petit poá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3017701929546011772-6372458100154184985?l=prosaicoemprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/feeds/6372458100154184985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/2008/12/acaso.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3017701929546011772/posts/default/6372458100154184985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3017701929546011772/posts/default/6372458100154184985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/2008/12/acaso.html' title='Acaso'/><author><name>Caroline Valada Becker</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09443038235437520651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3017701929546011772.post-813593056596659234</id><published>2008-12-18T20:36:00.000-08:00</published><updated>2009-02-13T10:04:11.474-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hesitações'/><title type='text'>Sem Sapatos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#663366;"&gt;A ficção é a imaginação concretizada. Acaso o concreto e o imaginário são concepções inconciliáveis? Produções artísticas as unem. Observa: um universo de gigantes e de peripécias bem sucedidas, onde o mundo paraliza e apenas o instante de uma personagem existe. Eis uma das minhas acepções para “ficção” - ou contação de história, como preferires. Ela surge, hoje, fortemente, em grandes imagens, enunciando a sétima arte. Esteve, inicalmente, na voz e desfila pelos livros, seja em inúmeras páginas ou em breves palavras. A ficção! Ou a literatura, se preferires.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Big Fish&lt;/em&gt; lembrou-me os contos de fadas e as narrativas orais, nas quais encontramos gigantes e anões, sortudos e azarados, situações prosaicas e mágicas. O contador de histórias desse filme recriava, acrescentando à realidade a subjetividade da sua percepção de mundo. No seu mundo (e no nosso), há duas versões: uma factual e uma recriada. Qual preferes: o encantamento de um detalhe somado a uma narrar performático ou a simplicidade do fato somado a uma não-variação-vocal?&lt;br /&gt;O existir ganha outro tom, quando imerso em fantasia. Cores e movimentos que nunca concebeste saltam aos teus olhos. Com a litertatuta e com o cinema, experenciamos o mesmo – com algumas diferenciações, eu sei! Ao aceitarmos o imaginário, novos perspectivas de olhares surgem. Assistimos a um filme ou lemos um poema e a emoção confunde o exato, ou o real, com o idealizado. E por que não nos refugiaríamos numa cidade como Espectro – sem sapatos viveríamos. Outra Pasárgada; mesmo objetivo - a fuga do feérico.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3017701929546011772-813593056596659234?l=prosaicoemprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/feeds/813593056596659234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/2008/12/sem-sapatos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3017701929546011772/posts/default/813593056596659234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3017701929546011772/posts/default/813593056596659234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosaicoemprosa.blogspot.com/2008/12/sem-sapatos.html' title='Sem Sapatos'/><author><name>Caroline Valada Becker</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09443038235437520651</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
